quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Mensagem Pascal do Patriarca Pavle (Memória Eterna!) em 2006

Da Igreja Ortodoxa Sérvia a seus filhos espirituais na ocasião da Páscoa, 2006
+PAVLE

Pela Graça de Deus, Arcebispo Ortodoxo de Pec, Metropolita de Belgrado-Karlovic e Patriarca Sérvio, com os Hierarcas da Igreja Ortodoxa Sérvia – a todo clero, monásticos e a todos os filhos e filhas de Nossa Santa Igreja: graça, misericórdia e paz da parte de Deus, o Pai, de Nosso Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo, com rejubilantes saudações pascais:

CRISTO RESSUSCITOU!
Que os Céus se regozijem,
e que a terra exulte.
Que o universo inteiro,
visível e invisível,
esteja em festa.
Pois Cristo ressuscitou, nossa eterna alegria
.”
(Hino Pascal, Ode I).

A Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo dos mortos é o principal evento na história da salvação da humanidade. Com Sua ressurreição do túmulo, o Salvador proclamou a vitória sobre a morte – o último inimigo de todos os povos.

O Senhor, Amante da humanidade, Que, por amor a nós, aceitou a crucificação e a morte, fez-nos participantes de Sua vitória sobre a morte. A natureza humana em Cristo, Deus-Homem, acolheu a morte, mas essa mesma natureza ressuscitou e trouxe a vitória sobre aquela. Essa vitória, que o Senhor realizou no corpo, proporcionou a todos os povos a liberdade em relação à morte; liberdade na qual nos alegramos, até mesmo aqui e agora, através da Ressurreição de Nosso Salvador.

O Senhor Jesus Cristo submeteu-Se à morte em Seu corpo, para que, com a vitória sobre ela e sobre o aniquilamento resultante da corruptibilidade, o poder da ressurreição pudesse ser conferido à raça humana. Pelo primeiro homem, nosso ancestral Adão, e devido ao pecado e à Queda, nós herdamos a condenação e a morte. Entretanto, no Novo Adão, Nosso Senhor Jesus Cristo, nós temos por herança a ressurreição. Deste modo, comungamos da Sua Glória e participamos de Seu Reino Eterno. Porque o Salvador foi verdadeiramente glorificado pela Crucificação e Ressurreição, e testificamos abertamente que, na Cruz, em Sua natureza humana, Ele realmente sofreu e morreu, sendo Sua obra redentora coroada com a glória digna de Deus.

Logo, por que Deus permitiu, como legado de Adão, a morte, para que ela ainda exista no mundo? Pessoas ainda morrem, mas não à mesma maneira dos condenados, não para a eternidade, mas por um tempo determinado, para que elas possam receber uma ressurreição mais gloriosa. O Cristo Deus-Homem é o Primogênito dos mortos, e todas as pessoas seguem-No como o Primogênito, porque, pela Sua ressurreição, Ele vivificou a todos que pertencem à natureza humana. Sobre isso, o Próprio Senhor testifica: “Vem a hora, e já chegou, quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e aqueles que a ouvirem viverão; aqueles que fizeram o bem para a ressurreição da vida, os que praticaram o mal, para uma ressurreição de condenação” (João 5: 25, 29)

O evento da Ressurreição porta tamanha importância para o universo inteiro, que nós já chamamos este mesmo universo de nova criação. Esse evento resultou na transformação em todos os mundos, pois, a partir da Ressurreição, inicia-se a renovação de todas as coisas. Com a Ressurreição, a Terra e os Céus são renovados, e a Palavra do Senhor é cumprida: “Vede, Eu faço novas todas as coisas.” (Ap. 21: 5). Tem a Ressurreição um significado especial para a vida espiritual dos Cristãos, já que todos que crêem em Cristo erguem-se com Ele em uma nova vida e ofertam a Deus seu ser físico e espiritual, por terem sido trazidos da morte para a vida (Rom. 6: 13). Logo, nós elevamos, hoje, nossos pensamentos acima das preocupações terrenas, como afirma o Santo Apóstolo Paulo: “Portanto, se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não das que são na terra.” (Col. 3: 1-2).

Tudo que Cristo disse e realizou para o cumprimento de nossa salvação recebe seu pleno significado na Ressurreição, porém mais especificadamente o sofrimento e a morte. Pela Ressurreição, a Cruz de madeira da Crucificação tornou-se o símbolo da vitória e da glória, e as feridas mortais de Nosso Senhor vieram a ser fontes de cura pelas quais adquirimos a vida eterna, o conhecimento de Deus e o amor para com a humanidade por parte de Nosso Senhor Ressurreto. Eis porque todos os esforços dos fiéis, agradáveis a Deus, mais especificadamente o santo serviço a Deus pela salvação de nossos amados e todas as expressões de piedade evangélica, encontram sua importância na Ressurreição de Nosso Senhor.

A Ressurreição de Cristo era chamada de Páscoa já nos dias antigos. A Páscoa do Antigo Testamento, o principal Dia Festivo do povo escolhido de Deus, aponta para a Páscoa do Novo Testamento, nova e eterna, tanto no nome como na essência. Pascha significa passar [“passagem”], e a Igreja, na Pascha, glorifica a Cristo, por cuja Ressurreição passamos da morte para a vida, da terra para os Céus. A Páscoa do Antigo Testamento celebrava a liberdade temporal da morte de uma pequena nação sob a liderança do Profeta Moisés, ao passo que a Páscoa do Novo Testamento oferece a libertação eterna a todos os crentes, por todas as gerações. De acordo com a Lei de Moisés, a refeição pascal era preparada com um cordeiro. A Páscoa de Cristo significa que o Cordeiro de Deus sacrificou-Se voluntariamente e ofereceu a Si Mesmo como alimento aos fiéis. Eis a razão pela qual São Paulo, o Apóstolo, aconselhando-nos a aproximarmos com confiança à mesa do banquete pascal e ao “trono da graça” (Hb. 4:16), nos diz: “Pois, de fato, Cristo, nossa Páscoa, foi imolado por nós.” (1 Cor. 5:7). No Novo Testamento, a celebração pascal da Cruz e da Ressurreição é mantida no Mistério do Corpo e do Sangue do Senhor, que edifica a comunidade divino-humana e a unidade dos fiéis: “Não é o cálice de benção que abençoamos, a comunhão do sangue de Cristo? E não é o pão que partimos a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Cor. 10: 16-17).

A Ressurreição de Cristo é a Festa das Festas, pois ela expressa mais profundamente a vida da Igreja. Não apenas hoje, mas cada Domingo do ano, como dia de ressurreição, reúne os fiéis da Igreja, na comunidade do Banquete do Senhor.

Amados filhos, nós experimentamos a Ressurreição de Cristo como a manifestação da luz eterna que ilumina não apenas as almas das pessoas, mas toda a criação. “Hoje, tudo se preenche de luz, os céus, a terra e as profundezas”, assim cantamos no hino ressurrecional. A primeira semana após a Ressurreição é permeada de luz, daí nós a chamarmos de Semana Luminosa: ela está completamente repleta da glória da Ressurreição, sendo, portanto, celebrada como se fosse um único dia. Tal luz eterna é transmitida, pelo corpo vivo da Igreja, à vida de todos nós, aos nossos pensamentos e obras, para que nós vivamos com uma nova vida.

Nesta radiante Festividade, de todo coração oferecemos nossas ações de graça ao Senhor, Que, nestes tempos tempestuosos, revelou-Se como o Caminho, a Verdade e a Vida para nossas gerações mais jovens. Regozijamo-nos de maneira especial em ver que nossos jovens, através do corpo glorificado de Cristo e de Sua Igreja, terem encontrado imensa alegria e a essência imperecível de uma nova e eterna vida.

Ao mesmo tempo, estamos profundamente conscientes do doloroso fato do mundo moderno de que os jovens, em grande número, estão tornando-se vítimas de narcóticos, de falsos salvadores e de falsos ensinamentos nocivos às suas almas. Este tipo de vida priva-os da feliz juventude e da alegria da vida. Pior de tudo é a continuação na matança de crianças (aborto), assim como ataques insanos à santidade da vida familiar e da comunidade. A aflitiva crise espiritual e moral e a decadência vital de quase todas as Nações cristãs – e, dentre elas, infelizmente, nosso próprio povo sérvio – não somente são conseqüências da insegurança econômica e da desordem social, mas enraízam-se, acima de tudo, na separação ao amor de Deus e à Igreja, pela qual a graça do Espírito Santo estabelece e é exemplo da comunhão eterna entre os povos. Em verdade, compartilhando de todas as tentações e sofrimentos com nosso povo nestes luminosos dias pascais, nós transmitimos a todos vocês a saudação angelical, vinda do túmulo do Cristo Ressuscitado: “Regozijem-se!” Com a luz de Sua Ressurreição, o Senhor ilumina até mesmo aqueles que perambulam na escuridão das trevas espirituais. Ele concede vida e alegria a todos os entristecidos, a todos os excluídos e a todos os pecadores, através do arrependimento, da fé, da esperança e do amor – através do retorno regozijante ao maternal abraço da Igreja.

Nestes dias da Cruz e da Ressurreição, nós sofremos profundamente com nossos irmãos e irmãs em Kosovo e Metohia. Há séculos, mais especialmente nos últimos anos, eles têm passado e continuam a passar por espinhosos sofrimentos e crucificações diárias, aguardando, desiludidos, decisões políticas pelas quais dependerá o futuro deles e de seus filhos. A eles, no espírito do Evangelho, enviamos a mensagem de que, após a crucificação, vem a Ressurreição e de que não há nenhuma alegria de nova vida sem o túmulo de onde alvorece a vida em Jesus Cristo. Pedimos a eles a serem fiéis à tradição do Santo Czar Lázaro e se manterem em suas terras, independentemente das ameaças daqueles encegueirados pelo ódio. Kosovo e Metohia é a terra do juramento pelo qual o povo sérvio sujeitou-se a Cristo e adentraram na comunidade sacerdotal do Povo de Deus. Oramos a Deus por um solícito derramamento de Sua paz à sofredora Kosovo e Metohia, através da compreensão mútua entre as comunidades sérvias e albanesas, efetuando declarações conjuntas que assegurem a vida, a paz, a liberdade e a dignidade a todos os povos.

Expressamos nossa alegria e graças ao Senhor Ressuscitado pela libertação de Sua Beatitude Arcebispo de Ochrid e Metropolita de Skoplje Jovan daquela lúgubre cela de prisão. Mais especialmente, regozijamo-nos por ele ter aceitado voluntariamente esta humilhação à Cristo e corajosamente tê-la suportado, sacrificando a si mesmo a fim de ajudar a superar um horrendo cisma entre irmãos de fé. Com esperança e paciência, conclamamos nossos irmãos cismáticos a pôr a unidade da Igreja acima de todas as metas terrenas. Esperamos que eles se libertarão do calabouço cismático par a luz da unidade sacramental e eucarística da Igreja no Cristo Ressuscitado, o Vitorioso sobre a morte e sobre todas as divisões.

Com paternal amor, conclamamos nossos irmãos e irmãs Ortodoxos em Montenegro e a todas as pessoas de boa-vontade a preservarem a paz mútua e a unidade, tanto antes como após o futuro referendo. Ao mesmo tempo, lembramos que a Fé Ortodoxa salvaguarda e promove a liberdade a cada pessoa, assim como promove a unidade entre os povos e nações. A liberdade e o bem humano e fraternal não podem ser estabelecidos em nenhum lugar (especialmente em Montenegro de Njegos), pela pressão sobre a consciência das pessoas, chantagens e ameaças; mas pela livre-expressão da vontade e pela total responsabilidade pelo amanhã de seus descendentes.

Amados filhos espirituais na Diáspora, a alegria desta Festa nos torna mais unidos a vocês, independentemente das distâncias geográficas. Sempre regozijem-se em sua Santa Igreja, porque Ela une vocês firmemente à pátria celestial e àquela terrena jamais substituível. Sejam bons cidadãos das Nações em vocês vivem e membros ativos e fiéis de sua Igreja. Não deixem de cultivar sua língua sérvia! Essa é a língua de seus ancestrais e a língua da cultura e da espiritualidade sérvias, mas, acima de tudo, a língua de vosso Culto Litúrgico.

Testemunhando na alegria da Santa Fé Ortodoxa de que “nada nos pode separar do amor de Deus” (Rom. 8: 39), que eternamente renova nossa imperecível comunhão, nós congratulamos a vocês, amados filhos espirituais, nesta Festa das Festas, com a mais sublime e mais jubilosa saudação: 

Cristo Ressuscitou!
Em Verdade, ressuscitou!

Concedida no Patriarcado Sérvio em Belgrado na ocasião da Páscoa 2006.
Vossos orantes intercessores diante do Senhor Crucificado e Ressuscitado:
Arcebispo de Pec, Metropolita de Belgrado-Karlovic e Patriarca Sérvio PAVLE,
Metropolita de Zagreb e Ljubljana JOVAN,
Metropolita de Montenegro e das Terras Costeiras AMPHILOHIJE,
Metropolita da América Médio-Ocidental CHRISTOPHER,
Metropolita de Dabro-Bosna NIKOLAJ,
Bispo de Shabac-Valjevo LAVRENTIJE,
Bispo de Nish IRINEJ,
Bispo de Zvornik-Tuzla VASILIJE,
Bispo de Srem VASILIJE,
Bispo de Banja Luka JEFREM,
Bispo de Budim LUKIJAN,
Bispo do Canadá GEORGIJE,
Bispo de Banat NIKANOR,
Bispo para a América e Canadá (Metropolia de Nova Gracanica) LONGIN,
Bispo da América Oriental MITROPHAN,
Bispo de Zica CHRYSOSTOM,
Bispo de Backa IRINEJ,
Bispo da Grã-Bretanha e Escandinávia DOSITEJ,
Bispo de Ras e Prizren ARTEMIJE,
Bispo aposentado de Zahumlje e Hezergovina ATANASIJE,
Bispo de Bihac e Petrovac CHRYSOSTOM,
Bispo de Osijek e Baranja LUKIJAN,
Bispo da Europa Central CONSTANTINE,
Bispo da Europa Ocidental LUKA,
Bispo de Timok JUSTIN,
Bispo de Vranje PAHOMIJE,
Bispo de Sumadija JOVAN
Bispo de Slavonia SAVA,
Bispo de Branicevo IGNATIJE,
Bispo de Milesevo FILARET,
Bispo da Dalmácia FOTIJE,
Bispo de Budinlje e Niksic JOANIKIJE,
Bispo de Zahumlje e Hezergovina GRIGORIJE,
Bispo da Austrália e Nova Zelândia (Metropolia de Nova Gracanica) MILUTIN,
Bispo de Gornji Karlovic GERASIM,
Bispo-vigário de Hvostno ATANASIJE,
Bispo-vigário de Jegar PORFIRIJE,
Bispo-vigário de Liplian TEODOSIJE,
Bispo-vigário de Dioclea JOVAN
Bispo-vigário de Hum MASKIN
Arquidiocese Ortodoxa de Ochrid:
Arcebispo de Ochrid e Metropolita de Skoplje JOVAN,
Bispo de Pólos e Kumanovo JOAKIM e
Bispo de Dremvic e locum tens da Diocese de Bitolj MARKO.

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